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20101129

Viro

Do lado que ouro enxerguei,
não mas ousaste de mim
zombar, por ser rei.

20101116

O olhar mormaço do outro é o modelar dos espinhos.

à Chico Bezerra, meu cacto.


Sinto saudade da ansiedade de Chico almejando o sol das 4 horas.
E arqueado prus 4 canto celeste
Bezerra derrete.

Mas, isso era nas antiga de sua vida
naquela, quando a raíz nunca birrava por água
porque tendo perna cumprida
num tem palma que infarta!

20101031

Pra'quele que monitora a flora deste bixo.

Enfim explico:
Escrevo para quem decifra
a vida exposta em cristal líquido.

20101025

Panorâmica

Violeta, garra, violência.
não olha pra baixo
que do vaso
desenvolve-se a crença

20101007

Fruto de um corrosivo desequilíbrio.

Andarilho de alma fera,
cercas em imediato tua terra,
que a guerra come ópio!

Pois o conflito, se deres sorte,
não só almeja a morte,
como também a fome e o ódio.

E no desespero, que ainda em ti arde,
a força que te move,
é mandíbula que dilacera carne.

20100924

Eleva quando há dor.

Olhar trancado em malhas roxas
na variedade dos andares.
Sem o timbre das vozes roucas,
herdadas d'outras tardes..

Peca, atravessa.
Corre em razão direta,
argumenta, acalenta,
recicla o que resta.

Insiste quando o transe balbucia no interior inteiro
do escarlate batom vermelho.



- do décimo pro sexto.

20100923

no íntimo renascido

Atirando caminho,
desviei rajada.
Em sais,
purific'alma.



Domínio de espírito volátil,
estrutura de miraculosa vida tátil!

20100907

Ré (em) Percussão

Freio fraco
arrastado chiado
das roldanas arranhadas
De melodia máscarada
em torpor tonalizado
De um todo
de tolos.


Desen-gon-ça-do
o pesar dos que silenciam-se. si..si

20100823

Oh, insensatez, Poe!

A harpa da praia gelada
iluminou as índias de dança

juro, quem puder, alcança...

Quando
se

Ouve o urro das laterais
da frenética lembrança
que, há uns poucos, demais
e d'outros: Infância.

20100814

Ida

A vida é jogo de liga
liga pra cá liga pra lá
atende.. -oi
Desliga. . -tá

20100706

Adorno

Luz deita-se
vida trota
Verde espera
blefes
Nada a incomoda
tsc

Folhas que detrás
expoêm quedas.
Do outro, relva.
Mas...



Fauna doa-se em Flora.

20100603

Pêndulo



Cala essa minha boca!
Com fala de rimas batidas.
Maquinal vida,
De alma oca.

Roca a garganta que a ti,
Dispara frases gaguejadas,
De sobrancelhas arqueadas,
E sensações que nunca senti.

Sem ti, vago enfermo.
Titubeio em impulsionar meu anseio,
Difícil existir quando apenas meio.
E sem ti, repito, queimo em ermo.

Tuas linhas completas,
De estrofes quão libertas.
Desenrolam em mim, angústias.
Tecem meu pulsar com astúcia.

Tento quebrar a maldita métrica.
E enfim, entoar palavras livres.
Queria que meu ser fosse simples,
E não mais rimar o primeiro com ética.

Neste letal soluçar,
Que em mim ainda reverbera,
Enfrento esta temida quimera.

E num sussurro trêmulo
Declamo:
- Eu te Amo!

Pára o Pêndulo.

20100601

In verso (pinheirinho)

Luzes em mantos negros,
Nuvens, seus prantos presos.
Espero de tudo o inverso,
Espelho do mundo, arremesso.

O certo errante em meio a contradição,
O perto distante sem ao menos dar-te a mão.
Tomas partido que o ilógico é o fluir da razão,
Torna este caminho um envolto a achada perdição.

Surto de idéias trocadas,
Ao susto das medidas tomadas.
Desobedece a este fruto permitido,
E faz desta prece um lido sem sentido.

Amor, jardim meu


Aqueces a alva lágrima do frágil jardineiro.
Floresce a rara alma de um esquecido canteiro.
Jardim colorido, movimentado e encantador,
Sempre a cultivar e semear tão intenso torpor.

Dores cessaram em meio a tanta perda,
Flores brotaram à sombra da velha cerca,
Contrastando a vivas cores invisíveis.
Percebidas por cansados olhos, ainda sensíveis.

Doces os perfumes que me guiam em viagens oníricas,
Fortes os costumes que me cercam em verdades empíricas.
Dos canteiros, nada mais verde que a esperança escondida,
Nada mais nobre que a certeza de uma solidão perdida.

Ah, saboroso néctar de flor tão rara e eternamente almejada,
De gosto tão forte e ameaçador, de servidão tão dominada.
Se por um breve e delicado golpe faz de mim um escravo,
Entrego meu frágil rosto, que dele escorre um brilho alvo.

Outono


Secas folhas passeiam em meu leito,
afagam meu peito.

De tão nobre impulso
saltam sem prumo,

Rumo ao vento.
Sem fé nem tempo.

x.x

Jazi aqui uma alma que nunca viveu.
Um suspiro,
Um reverberante “Eu”.

Nada mais que isso,

Nem corpo
Tão morto

Navegante

Busco resposta em teus olhares,
Onde a ilusão espreita sorridente.
Sinto-me cercado por verdades.

Sorriso tão julgador.
Transparece em meu semblante,
Amada dor.

Vem-me logo um receio,
Na calmaria que me trazes.
Diluindo tudo que creio.

As frases agora me fogem.
Junto com elas.
Desejos meus, morrem.

Como dói perdê-las,
Como amo esquecê-las.

Navegantes II

Queres a salvação?
Corre!
Como se tudo estivesse perdido.
Morre!
Como se a água perdesse o sentido.
Acorda!
O prazer reside no desespero.
A corda!
Angústias realizadas num único desejo.

Raros os que resistem ao receio da razão.

Abandona tua matilha,
Aceitas a redenção!

Navegantes I

à Ruan Luca
A faca que cravastes em meu flanco,
Ao silêncio da infantil confiança.
Trouxe-me uma dor, um intenso rancor,
Jazido pela tua mudança.

Minha reação pelo choque,
Foi atirar-te da mesma lâmina.
Temível ato, errôneo alvo,
Atingi tua coxa, tornas-te manco.

Ao fim de nossa vingança pela carne,
Enxergamos nossa barbária,
Ao reflexo de águas calmas,
- Fonte de pureza e sanidade,
De raras almas. -
E vimos com fascinação nossa misteriosa arte.

Há de convir que não somos céticos.
Os significados de nossos versos,
- Nem tão métricos -
Trazem nossa euforia, por ideais incompreendidos.
Ao olhar de meros andarilhos,
Parecemos tão iludidos.
Nossas complexas conspirações,
Alimentam nossa prece,
Enfim encontramos um revolto refúgio:
Delta S.